Praias Selvagens

Fisgas de Ermelo

Mondim de Basto – Trás-os-Montes e Alto Douro

As Fisgas de Ermelo constituem o local mais emblemático do Parque Natural do Alvão. Verdadeira janela para o passado longínquo da História da Terra, as rochas quartzíticas, que agora se elevam numa paisagem de tirar o fôlego e provocar vertigem, começaram por ser areias num mar pouco profundo junto das praias de um antigo continente, chamado Gondwana, localizadas próximo do Pólo Sul há cerca de 480 milhões de anos.

De então para cá, as areias transformaram-se em rochas duras, as praias levantaram-se para formar montanhas e estes materiais migraram para o hemisfério norte. Pelo caminho, todos os antigos continentes se juntaram, num verdadeiro “choque titânico”, formando um super-continente chamado Pangea.

Este conjunto de aventuras vividas pelo nosso Planeta pode ser “lido” nas Fisgas de Ermelo, onde as rochas se empilham num escarpado magnífico, verdadeiro “livro de pedra” que guarda estas histórias longínquas e admiráveis. A presença de marcas fósseis nestas rochas, deixadas por organismos já extintos, podem também ser vistas como uma espécie de “ilustrações” desses tempos distantes, em que a vida só existia no mar, por contraponto à biodiversidade excecional conhecida atualmente nesta área protegida.

Foi a fraturação destas rochas duras que permitiu que o Rio Olo nelas se tenha “enfisgado”, dando origem ao nome popular pelo qual é conhecida a mais bela cascata do território continental português.

Este é um local que possui um elevado valor científico, didático e patrimonial em domínios como a estratigrafia, sedimentologia, tectónica, geomorfologia, paleontologia e hidrologia, tendo associada uma notável vocação turística.

A beleza singular e selvagem deste local atrai dezenas de milhar de visitantes todos os anos, que daqui saem com todos os sentidos despertos e com o desejo e a promessa de voltarem muitas outras vezes.